doenças neurológicas cães

Doenças neurológicas mais comuns em cães

O Sistema Nervoso está subdividido em dois componentes: o Sistema Nervoso Central e o sistema Nervoso Periférico. O primeiro compreende o cérebro e a medula espinal, enquanto, o segundo se refere a todas as partes do sistema nervoso que estão fora do cérebro e da medula. Em conjunto, permitem que, tanto os humanos, como os animais experienciem a vida e regulem as funções corporais. Porém, e como qualquer outro sistema corporal, o sistema nervoso pode ser afetado por doenças congénitas, inflamação, infeção, problemas nutricionais e metabólicos, traumatismos, doenças degenerativas, doenças neoplásicas, entre outras. Com este pequeno artigo, tencionamos informar os tutores das doenças neurológicas em cães que são mais comuns e como as reconhecer. Sempre que haja suspeita de uma destas doenças, deverá dirigir-se com o seu animal ao seu médico veterinário ou, em alguns casos que iremos identificar, a uma urgência. 

As doenças neurológicas em cães que são mais comuns:

  • Doença dos discos intervertebrais
  • Epilepsia
  • Otite média e interna o Lesões decorrentes de traumatismos e fraturas
  • Intoxicações 

Doenças dos discos intervertebrais

Os discos intervertebrais são estruturas que se situam entre duas vértebras (os ossos constituintes da coluna vertebral) e têm como objetivo principal diminuir o atrito entre as vértebras e permitir que a coluna tenha algum grau de mobilidade. Com o envelhecimento, estes discos podem sofrer uma série de alterações, entre as quais, a mais comum se chama espondilose, vulgarmente conhecido como “bicos de papagaio”.

Esta afeção é, muitas vezes, um achado radiográfico em cães sem sintomas, porém, quando sintomática, é bastante dolorosa e limitante, provocando uma grande instabilidade na coluna vertebral. Por outro lado, o centro dos discos intervertebrais é constituído por uma espécie de gelatina chamada núcleo pulposo que, com o envelhecimento, pode ir sofrendo alterações, e calcificar o que faz com que, mais facilmente, o núcleo pulposo possa extravasar para o canal medular, onde se encontra a medula espinal, e ir comprimir esta estrutura – formação de uma hérnia de disco.

A formação da hérnia é um acontecimento súbito, em que, de repente, o cão fica cheio de dor e com paresia ou paralisia dos membros. Se isto acontecer, o seu cão deve ser visto rapidamente por um médico veterinário para que se possa agir o mais rápido possível, na tentativa de evitar uma paralisia definitiva. 

Epilepsia

A epilepsia é a doença neurológica mais comummente vista em cães e estima-se que afete cerca de 0.75% da população canina. O termo epilepsia refere-se à presença de convulsões recorrentes, não provocadas, que resultam de alterações do cérebro.

Esta doença pode ser hereditária (de origem genética ou idiopática), causada por problemas estruturais do cérebro (epilepsia estrutural), ou, a forma mais comum, ter causa indeterminada (epilepsia de causa desconhecida – idiopática). Não sendo uma urgência por si só, uma vez que geralmente são episódios limitados no tempo, uma convulsão que não pára é uma urgência real. Ou seja, se o seu cão tiver uma convulsão e parar, ou parar com a medicação (caso não seja a primeira vez que acontece e já tenha prescrição de medicação de urgência) não é uma urgência, mas deve ser visto nas próximas horas, um cão que entra em status epilepticus, ou seja, uma convulsão que não pára, deve ser assistido imediatamente.

A maioria dos cães não vão ser medicados de forma crónica após a primeira convulsão, porém devemos sempre tentar diagnosticar a origem das convulsões para que se possa tratar o cão da melhor forma. Infelizmente, a maioria dos cães desenvolve epilepsia idiopática, não se conseguindo chegar a um diagnóstico. 

Otite média e interna

Uma otite é a inflamação do ouvido, pode ser externa, se se limitar ao canal auditivo externo, média se for alcançar o ouvido médio e interna se chegar ao ouvido interno. Regra geral, a otite é progressiva, porém pode surgir uma otite interna por via hematogénea, ou seja, através da corrente sanguínea.

Os sinais neurológicos aparecem em casos de otite média ou interna. No caso de otite média, os sinais mais comuns incluem os sinais de otite externa (abanar a cabeça, coçar os ouvidos, exsudado no canal auditivo), síndrome de Horner (protrusão da terceira pálpebra unilateral, constrição da pupila, retração do olho na pálpebra e pálpebra superior descaída), paralisia facial, diminuição da audição e queratoconjuntivite seca (diminuição da produção de lágrima que leva à inflamação do olho).

No que toca à otite interna, os sinais mais comuns são o head tilt (vulgo cabeça de lado), circling (andar em círculos), perda de equilíbrio, incoordenação motora e nistagmus horizontal (movimentos involuntários dos olhos). Em casos muito graves, pode haver uma extensão da infeção e inflamação desde o ouvido interno até às meninges e cérebro provocando uma meningite ou meningoencefalite.

Lesões decorrentes de traumatismos e fraturas

Os traumatismos e fraturas podem provocar uma miríade muito extensa de sinais neurológicos desde parésia, paralisia, dor por compressão de estruturas nervosas, convulsões, até, em casos mais extremos, coma e morte, devendo ser cada caso avaliado em particular em sede de urgência. 

Intoxicações

Alguns inseticidas como os organofosforados e os carbamatos são fontes comuns de intoxicação em cães – ambos provocam sinais pouco específicos com estimulação de certos recetores (a sua nomeação vai além do âmbito deste artigo) como salivação, contrações musculares involuntárias, fraqueza muscular, micção involuntária, diarreia, vómitos, broncoespasmo. Outro tóxico, agora menos utilizado, é a estricnina. A estricnina provoca uma rigidez muscular em que os cães ficam sempre em extensão, aceleração do ritmo cardíaco e respiratório, aumento da temperatura, apneia, salivação extensa. Felizmente, as intoxicações são cada vez menos frequentes, mas quando acontecem os cães devem ser assistidos o mais rapidamente possível para ter uma maior hipótese de sobrevivência. 

Em suma, as doenças neurológicas em cães são muito variadas e as suas apresentações nem sempre são claras. Se suspeita que o seu cão pode sofrer de uma destas doenças, deverá dirigir-se ao seu médico veterinário assistente que o poderá aconselhar da melhor forma. 


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